TERRINHA À VISTA 2 - Mostra de Cinema português contemporâneo está em exibição até o início de agosto

(Foto cedida/Crédito: Nathan)

Em 2026, a distribuidora Filmes do Estação, pelo segundo ano consecutivo, traz para o Brasil destaques do cinema português contemporâneo. A aposta da distribuidora é a realização de uma mostra de cinema, evidenciando a produção independente português para o público brasileiro, com três lançamentos, com um que já foi lançado no mês de julho, no Estação Claro Rio.


A Vida de Marie (Diretor: João Marques)

Desde 23 até 29 de julho

(Cartaz cedido/Crédito: Nathan)


Assista ao Trailer no YouTube clicando aqui 


Sinopse: Uma jovem artista destemida, Maria Manuela recusa-se a conformar. Filmado ao longo de quatro anos, o filme acompanha a sua jornada para encontrar seu lugar no mundo na fase mais sensível da vida: a entrada na vida adulta.

70min.

Diretor: João Marques

Produtor: Justin Amorim

Protagonista: La Vie de Marie interpreta Maria Manuela


Notas do diretor: Em 2020, Maria, uma jovem artista natural da aldeia de Estela, no norte de Portugal, mudou-se para Lisboa em busca de uma oportunidade de desenvolver a sua carreira. Ao tornarmo-nos vizinhos surgiu uma amizade. Em 2021, participamos juntos num festival comunitário que nos levou a um período exploratório de trabalho de cura com práticas meditativas. Passámos neste por uma experiência catártica que despertou em mim o desejo de filmá-la. O filme nasceu de uma curiosidade genuína pela Maria que ali vi, tal como pela sua persona digital La Vie de Marie, que partilha uma abordagem irreverente e vulnerável nas redes sociais. Ambos crescemos em meios rurais com uma sensação de alienação e com uma necessidade de nos expressarmos criativamente, o que moldou tanto a nossa amizade como a narrativa do filme. A Vida de Marie insere-se numa reflexão sobre a Geração Z, marcada pela presença das redes sociais e pelas formas de vida que surgem com este novo contexto.


Na sua aldeia natal, a sua forma de ser se choca com a tradição e os costumes portugueses, enquanto Maria incorpora tanto as suas raízes nortenhas como as influências da cultura digital. Há uma procura pelo seu sentido de identidade ao crescer neste meio rural e com a presença de uma educação religiosa. O filme reflete também sobre a ideia de “Casa”, tanto no sentido físico como psicológico. Maria, ao transformar os seus espaços e a sua realidade, procura um conforto em resposta à solidão e ao caos interno, navegando pelas dificuldades relacionadas com a saúde mental e a complexa relação com a sua família. O filme tomou forma organicamente ao longo de quatro anos, com as filmagens e a montagem a acontecerem em simultâneo e a revelarem-se gradualmente numa expressão contínua e intuitiva. Este processo refletiu-se no meu crescimento pessoal e da Maria, desafiando o objeto final. Esta viagem tornou-se um reflexo honesto e vulnerável de um processo criativo em constante mutação - para além de um agente importante na minha jornada de auto-descoberta e crescimento.


As Aves (Diretor: Pedro Magano)

Será exibido de 30 de julho a 05 de agosto

(Cartaz cedido/Crédito: Nathan)

Sinopse: Inspirada no conto “A Morte, o Tempo e o Velho”, de Mia Couto, e na peça “Os Pássaros”, de Aristófanes. Um velho homem que despreza os deuses vive isolado em uma ilha, sua única companheira é uma calopsita enjaulada. Ao pássaro, ele confia seus sonhos de escapar da sua rotina monótona e fundar uma cidade onde humanos e pássaros possam viver livremente.

73min

Direção: Pedro Magano

Produção: Pedro Sá

Elenco: Gustavo Sumpta e Mafalda Rocha


Notas do diretor: Os contos são narrativas simples e acessíveis, escritas para todas as idades, cuja magia reside na interpretação da mensagem universal que evocam. Em seu livro Na Berma de Nenhuma Estrada (2001), Mia Couto escreveu o conto "A Morte, o Tempo e o Velho", que narra a história de um velho que procura a Morte para se libertar do peso da existência. Mas, quando finalmente a encontra, na forma de um cão selvagem, acompanhada pelo Tempo, a Morte o torna imortal, contrariando seu desejo fatalista, substituindo-o pelo Tempo após se encantar com os relatos de seus sonhos. Os deuses têm fascínio pelos seres humanos.

Aristófanes, conservador, crítico dos deuses e defensor da Atenas do passado e de seus valores democráticos tradicionais, escreveu a peça As Aves, na qual critica a sociedade ateniense marcada pela corrupção. Nela, dois atenienses desiludidos com sua cidade, auxiliados por Tereu e Procne — transformados em aves pelos deuses —, sonham em fundar uma nova cidade para homens e pássaros: Nefelocucolândia. Essas duas obras constituem a base do argumento deste longa-metragem, intitulado As Aves. A peça grega inspirou os monólogos, os diálogos, o imaginário e o conceito estético do filme. A antiga guerra entre homens, deuses e aves é o tema central da obra. Na Grécia Antiga, o conflito entre deuses e homens era objeto de profundas reflexões que buscavam explicar o sentido da existência. Hoje, essas relações sobrevivem como metáforas cômicas, ainda recorrentes na busca pelos "porquês" da vida, refletindo séculos da história do comportamento humano e das divindades que os próprios homens criaram. O conto de Mia Couto inspirou a construção dos personagens e a forma narrativa do filme. 

Nesta adaptação, porém, a história se afasta do original quanto às intenções dos personagens, preservando apenas suas funções dramáticas. Diferentemente do conto, não é o Velho quem procura a Morte; é a Morte que vai ao seu encontro, acompanhada pelo Tempo, chegando a bordo de um moliceiro para zombar da mortalidade desse humano ingênuo. Ao perceber que não passa de um peão nas mãos da Morte e que sua vida é cíclica e repetitiva — como a de todos nós —, o Velho tenta desafiar e controlar o próprio destino. A Morte não aceita essa afronta e, ao final, decide não levá-lo consigo, por considerar que aquele simples mortal ousou desrespeitá-la como deusa.

(Foto cedida/Crédito: João Santana)

O Velho vive no Purgatório, isolado e cercado pelas águas de um rio morto, de margens lamacentas. Preso a uma rotina incessante de hábitos que se repetem sem fim — tal como acontece em nossas próprias vidas —, ele sonha em escapar daquele lugar para fundar uma cidade para homens e aves: Nefelocucolândia. O Velho odeia os deuses e desabafa suas frustrações com uma cacatua chamada Poupa, mantida presa em uma gaiola, metáfora de sua própria condição: encarcerado em um lugar hostil, sem compreender por que ali está. Ainda assim, encontra uma forma de liberdade nas palavras dos livros que descobre na biblioteca durante suas andanças furtivas pela cidade. A narrativa do filme é cíclica e dialoga com a ideia de uma existência humana infinita, repetitiva, e com a dimensão circular do Tempo. Sua estrutura divide-se em três partes de igual forma narrativa, que se distinguem, no entanto, pelo conteúdo e pela maneira como os personagens são interpretados.


Filmes do Estação | Distribuidora

A Filmes do Estação é o braço de distribuição cinematográfica do Grupo Estação, empresa

carioca de referência no Brasil para cinema independente e de qualidade. O grupo também

opera o circuito de salas Estação Claro de Cinema no Rio de Janeiro e foi um dos

fundadores do Festival do Rio. Criada em 1990, foi responsável pelo lançamento de

grandes sucessos brasileiros e internacionais, distribuindo cerca de 300 títulos no Brasil,

além de se especializar no relançamento de diversos clássicos.


Após um hiato, a Filmes do Estação retomou suas atividades em 2024 com o lançamento

de Orlando, Minha Biografia Política, dirigido pelo filósofo Paul B. Preciado. Em seguida,

lançou o aclamado Malu, de Pedro Freire, e O Diabo Na Rua No Meio do Redemunho, de

Bia Lessa, por meio de uma estratégia inovadora de distribuição, inspirada nas temporadas

teatrais.


Em 2025, a empresa também lançou Uma Bela Vida, do renomado diretor Costa-Gavras,

apresentou retrospectivas de cineastas como Charles Chaplin, François Truffaut e Agnès

Varda, e lançou mais de dez novos títulos adicionais.


Em 2026, a Filmes do Estação lançou, A Cronologia da Água, estreia de Kristen Stewart

na direção, exibido mundialmente em Cannes 2025; e Nino, primeiro longa de Pauline

Loquès, vencedor do César de Melhor Primeiro Filme e do prêmio de Ator Revelação para

Théodore Pellerin. Ainda este ano, a distribuidora prepara os lançamentos dos brasileiros

As Vitrines, de Flavia Castro; Pequenas Criaturas, de Anne Guimarães, vencedor de

Melhor Filme no Festival do Rio 2025; Quatro Meninas, primeiro longa de Karen Suzane,

exibido na seção Generation 14plus da Berlinale e Oceânico, de Guilherme Coelho, thriller

político centrado numa pesquisa de ponta com psicodélicos em uma universidade pública

carioca em meio ao desmonte da ciência. A lista inclui ainda Magalhães, de Lav Diaz, épico

histórico e crítico sobre Fernão de Magalhães, escolhido como representante das Filipinas

ao Oscar; In-I In Motion, primeiro longa dirigido por Juliette Binoche, no qual a atriz e

cineasta revisita, o processo físico e emocional de criação da performance In-I, ao lado do

coreógrafo Akram Khan; e Promised Sky, de Erige Sehiri, filme de abertura da mostra Un

Certain Regard, no Festival de Cannes de 2025.


Assessoria de imprensa: Sandra Villela - sandra.villela@grupoestacao.com.br

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